07/05/17 domingo
12:00
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Concerto

  • Orquestra Sinfônica Heliópolis

    A Orquestra Sinfónica Heliópolis (OSH), principal formação do Instituto Baccarelli, promove prática orquestral e conhecimento de repertório sinfônico a alunos avançados da instituição. Com direção artística de seu maestro titular, Isaac Karabtchevsky, a orquestra, reconhecida internacionalmente por sua qualidade artística, tem como patrono o maestro indiano Zubin Mehta, que visitou a instituição em 2005 e se encantou c0m o poder da música enquanto ferramenta de transformação social. Até hoje, a OSH é a única orquestra de toda a América do Sul que teve a oportunidade - e orgulho - de ser regida por Mehta. A versatilidade do grupo permite à Sinfônica transitar pelo universo da música de c0ncerto e da música popular, mantendo alto padrão de excelência na execução das obras. Assim, já se apresentou sob a regência dos maestros Zubin Mehta, Peter Gülke, Yutaka Sado, acompanhada de Julian Rachlin, Erik Schumann, Domenico Nordio, Paula Almerares, LeOnard Elschenbroich, Arnaldo Cohen, Jean-Louis Steuerman, Antonio Meneses, Ricardo Castro, Paula Almerares e de artistas consagrados como Ivete Sangalo, Milton Nascimento, João Bosco, Luiz Melodia, Lenine, Paula Lima, Toquinho, Fafá de Belém e Ivans Lins, entre outros. O grupo já tocou em importantes palcos, como Sala São Paulo, Theatros Municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, Gasteig (Alemanha) e Muziekgebouw (Holanda), além de ter participado de eventos como o Festival Beethoven (Bonn/Alemanha) e Rock In Rio, com Mike Patton.

  • Isaac Karabtchevsky regente

    Diretor artístico do Instituto Baccarelli e regente titular da Orquestra Sinfônica Heliópolis desde 2011, Isaac Karabtchevsky tem sido um dos grandes responsáveis pelo salto qualitativo dessa Orquestra. Indicado, em 2009, pelo jornal inglês The Guardian como um dos ícones vivos do país, Isaac nasceu em São Paulo e estudou regência e composição na Alemanha, sob orientação de Wolfgang Fortner, Pierre Boulez e Carl Ueter. Atuou como regente titular e diretor artístico em prestigiadas orquestras e teatros internacionais, como a Petrobras Sinfônica do Rio de Janeiro (desde 2004); Sinfônica de Porto Alegre (2003 a 2010); Orchestre National des Pays de la Loire, na França (2004 e 2009); Orquestra Tonkünstler, de Viena (1988 a 1994); Teatro la Fenice, em Veneza (1995 a 2001); Orquestra Sinfônica Brasileira (1969 a 1996). Recebeu a medalha do Mérito Cultural do governo austríaco e a comenda Chevalier des Arts et des Lettres do governo francês, além de condecorações de praticamente todos os estados brasileiros. Foi um dos criadores do Projeto Aquarius, o maior movimento de popularização da música clássica no Brasil. Desde essa experiência, nunca abandonou sua vocação de disseminar a música clássica e mantê-la viva, encontrando na Orquestra Sinfônica Heliópolis a parceira perfeita.

Gustav Mahler
Sinfonia nº 1 em Ré Maior – Titã

NOTA DE PROGRAMA

Gustav Mahler viveu e trabalhou no final do século 19, início do século 20. A afirmação é aparentemente
inofensiva. Mas por trás dela se esconde – ou se revela – a forma como a música do compositor é compreendida até os dias de hoje. Aquele período de fim de século, afinal, não foi qualquer período mas, sim, um momento de profundas transformações econômicas, políticas, sociais, culturais e de comportamento que mudaram o homem e o modo como ele entendia a si mesmo. Ali nascia um novo mundo, um mundo que explica a música de Mahler, assim como nela encontra um de seus mais bem acabados retratos, desde a Sinfonia nº 1 – Titã, que ouviremos no concerto de hoje da Orquestra Sinfônica Heliópolis.
Antes de que a música comece a soar, tentemos nos transportar para as últimas décadas do século 19. O ser humano está lidando com conquistas importantes. A industrialização leva a um método de produção até então desconhecido; a tecnologia introduz invenções que revolucionam campos como a comunicação e as viagens e mudam a maneira pela qual compreendemos a realidade que nos cerca; as cidades crescem e se desenvolvem em ritmos impressionantes; na ciência, as descobertas são diárias; as monarquias balançam, substituídas por democracias.
Tudo isso sugere uma ideia de progresso, aceita pelos homens daquele momento, que se veem, no presente, diante de um futuro que chegou mais rápido do que se imaginava possível. Mas é possível olhar esse período também por outro lado. A industrialização e as relações de trabalho que ela sugere reforçam a desigualdade.
O crescimento desordenado das cidades torna palpável a exclusão social e a pobreza. O homem se afasta da natureza. As mudanças políticas trazem consigo a desilusão perante ideais que agora se perdem em práticas que parecem as do passado. Para cada certeza, enfim, nasce uma dúvida. Para cada novidade, uma angústia.
A arte observa a tudo isso e reage com movimentos como o expressionismo, que elegem como filtro para se compreender a realidade o homem e o seu mundo interior, um mundo convulsionado pela sensação de incerteza que tantas mudanças provocam, um mundo que não se pode explicar mais pelas ideias do passado. Isso se reflete na nossa maneira de sentir. O que sentimos? Como sentimos? A psicanálise, já no começo do século 20, vai iluminar essas questões, mas propondo um novo desafio: a compreensão de que os sentimentos são conflitantes, de que amor e desejo podem andar de mãos dadas com a possibilidade de destruição, que o gosto pela vida muitas vezes nasce do mesmo lugar que o medo e a certeza da morte.
É nesse mundo de profundos contrastes que Mahler nasce e se forma como artista. E a trajetória da sua Sinfonia nº 1 é simbólica da transformação daqueles anos também na atividade musical. Nas últimas décadas do século 19 está em voga o que se chama de “música programática”, aquela que nasce ligada a uma narrativa. Mahler, ao compor a sinfonia, a batiza de Titã, associando a cada movimento da peça uma ideia específica.
O primeiro representaria “o despertar da natureza após um longo inverno”; o segundo, “o vento em minhas velas”; o terceiro, a visão satírica da gravura O Funeral do Caçador, em que animais carregam o caixão; e o quarto, batizado de “Do Inferno”, a “explosão repentina de desespero de um coração profundamente ferido”.
O quanto devemos nos apegar a essa descrição na hora de ouvir a sinfonia depende de cada um. Mas vale lembrar que, oito anos após a estreia, em 1896, o próprio Mahler renegaria esse programa, afirmando que, se essas ideias estiveram em sua mente na hora de compor, não devem de maneira alguma ser tomadas de forma literal. Isso tem a ver com uma mudança em direção à proposta de uma música absoluta, aquela cujo valor vem não de ideias extramusicais mas, sim, da partitura em si. Mas não só. A questão mais importante passa pela compreensão, que o próprio Mahler esboçou, das suas sinfonias como uma tentativa de retrato do mundo. Um mundo, no entanto, que em suas transformações, é “mais selvagem, cósmico e profundo que qualquer formulação programática pode sugerir”, nas palavras do crítico inglês Tom Service. Dentro desse contexto, fica mais fácil entender os profundos contrastes que a música da sinfonia nos sugere. No primeiro movimento, por exemplo, Mahler utiliza a melodia de uma canção composta anos antes, em que o texto diz “Não é um belo mundo este que nasce?” e, em seguida, a música ganha cores escuras. No terceiro, a lembrança da canção infantil Frère Jacques aparece associada a uma marcha fúnebre, fazendo da lembrança de vida e morte uma só coisa. No último, o tom heroico briga por espaço, a todo instante, com uma partitura sombria e desesperada. Talvez não tenha sido por acaso que o público da época tenha reagido com desgosto à Sinfonia. Ela, afinal, era um espelho em que este público podia ver a si mesmo em todas as suas contradições, recusando ilusões de ordem e tranquilidade. Um espelho que segue dizendo muito a respeito de nós mesmos. E para o qual devemos sempre olhar.

João Luiz Sampaio é jornalista, crítico musical, professor do Instituto Baccarelli e autor das biografias Antonio Meneses: Arquitetura da Emoção (Algo l Editora, 2010) e Guiomar Novaes do Brasil (Kapa , 2010).

07/05/2017 – Theatro Municipal de SP, 12h, Orquestra Sinfônica HeliópolisOrquestra Sinfônica HeliópolisIsaac Karabtchevsky

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