03/06/18 domingo
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Concerto

  • Orquestra Sinfônica Heliópolis

    A Orquestra Sinfônica Heliópolis (OSH), principal formação do Instituto Baccarelli, promove prática orquestral e conhecimento de repertório sinfônico a alunos avançados da instituição. Com direção artística de seu maestro titular, Isaac Karabtchevsky, a orquestra, reconhecida internacionalmente por sua qualidade artística, tem como patrono o maestro indiano Zubin Mehta, que visitou a instituição em 2005 e se encantou com o poder da música enquanto ferramenta de transformação social. Até hoje, a OSH é a única orquestra de toda a América do Sul que teve a oportunidade – e orgulho – de ser regida por Mehta. A versatilidade do grupo permite à Sinfônica transitar pelo universo da música de concerto e da música popular, mantendo alto padrão de excelência na execução das obras. Assim, já se apresentou sob a regência dos maestros Zubin Mehta, Peter Gülke, Yutaka Sado, acompanhada de Julian Rachlin, Erik Schumann, Domenico Nordio, Paula Almerares, Leonard Elschenbroich, Arnaldo Cohen, Jean-Louis Steuerman, Antonio Meneses, Ricardo Castro e de artistas populares consagrados como Ivete Sangalo, Milton Nascimento, João Bosco, Luiz Melodia, Lenine, Paula Lima, Toquinho, Fafá de Belém, Ivans Lins e Daniela Mercury, entre outros. O grupo já tocou em palcos como a Sala São Paulo, os Theatros Municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, Gasteig (Alemanha) e Muziekgebouw (Holanda), além de ter participado de eventos como o Festival Beethoven (Bonn/Alemanha) e Rock In Rio, com Mike Patton.

     

  • Edilson Ventureli regente

    Regente titular da Orquestra Juvenil Heliópolis e regente adjunto da Orquestra Sinfônica Heliópolis, Edilson Ventureli iniciou os estudos de piano aos cinco anos. Aos treze, ingressou no Coral Baccarelli e, sete anos mais tarde, tornou-se preparador e regente associado da Orquestra de Concertos de São Paulo e do Coral Baccarelli – posição que ocupou até 2003. Aperfeiçoou-se em regência orquestral com Ira Levin (2004-05), Roberto Tibiriçá (2005-10) e, desde 2010, é orientado por Isaac Karabtchevsky, diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Heliópolis. Nos últimos anos, participou regularmente do Musica Riva Festival (Itália), onde regeu a World Youth Orchestra, a SYOA – State Youth Orchestra of Armenia (Orquestra Juvenil Estatal da Armênia), Orquestra Reino de Aragón (Espanha) e LVIV Philarmonic Orchestra (Ucrânia). Em 2015 foi homenageado pela Câmara Municipal de São Paulo em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no Instituto Baccarelli e, em 2016, condecorado pela ordem Carlos Gomes por sua atuação como maestro.

  • Alvaro Siviero piano

    O paulistano Alvaro Siviero acumula passagens por países como Alemanha, Portugal, Itália, USA, República Tcheca, Áustria, Polônia, França, Inglaterra, Suíça, atuando ao lado da London Festival Orchestra, Budapest Chamber Orchestra, Prague Philharmonic, Académica de Madrid, Polska Filharmonia, Sinfonia Rotterdam, Salzburg Chamber Soloists, I Musici de Montreal em turnês pela Argentina, Chile, Holanda, Espanha, Uruguai e Peru. Em 2007, realizou recital particular ao Papa Bento XVI (Aparecida do Norte). Em 2009, representou o Brasil no Encontro Mundial de Artistas, na Capela Sistina (Roma). Em 2011, realizou o recital oficial de reabertura do verdadeiro local onde viveu Chopin (Valldemossa). Especializado em multiculturalidade pelo Lesley College (Cambridge), Siviero escreve sobre música clássica nos conteúdos digitais do jornal O Estado de São Paulo.

    [biografia atualizada em fevereiro/2017]

Pyotr I. Tchaikovsky
Concerto nº 1 Para Piano em Si Bemol Menor, Op.23
Pyotr I. Tchaikovsky
Sinfonia nº 6 em Si Menor, Op.74 – Patética

INTENSIDADE DRAMÁTICA

Na noite de Natal de 1874, o compositor Piotr I. Tchaikovsky, com as partituras de seu Concerto Para Piano nº 1 embaixo do braço, resolveu fazer uma visita a Nicolai Rubinstein, pianista, maestro e seu colega de conservatório. Esperava dele alguns comentários sobre a obra recém-terminada e, naturalmente, o compromisso de que o músico realizaria em breve a sua estreia. Sentou-se confiante ao piano, para tocar o concerto do início ao fim. E o que se deu em seguida é o próprio Tchaikovsky quem nos narra.

"Eu toquei o primeiro movimento. Nenhuma palavra, nenhuma reação! Comecei a me sentir um pouco tolo, tão envergonhado como um homem que prepara uma refeição para um amigo, que a come em silêncio (...). Então, uma torrente começou a ser despejada por Nicolai, a princípio gentil, mas se parecendo cada vez mais com os sons de Júpiter... Meu concerto não tinha valor algum, era intocável… A peça, como um todo, era ruim, trivial, vulgar. Eu havia roubado certa passagem de alguém, aquela de outro lugar. O concerto era desajeitado, tão mal escrito que não havia salvação possível para ele".

Como se não fosse suficiente, Rubinstein sentou-se ao piano e começou a tocar algumas passagens, ironizando o colega, com tiradas como: "O que isso quer dizer? E isso? Você não pode estar falando sério". "Se um estranho entrasse naquele momento", escreveria Tchaikovsky mais tarde, "imaginaria que eu era um compositor lunático gastando o tempo daquele eminente músico com um lixo ridículo".

Tchaikovsky resolveu não mudar uma só linha no concerto. Desistiu de dedicá-lo a Rubinstein e o enviou a Hans von Bülow, que a estreou com enorme sucesso. E, de qualquer forma, o compositor acabaria por ter a última palavra. Com o tempo, o concerto não apenas conquistou o coração dos principais intérpretes de seu tempo (inclusive, veja só, de Rubinstein), como se tornou uma das mais célebres peças de todo o repertório.

Justiça seja feita, Rubinstein não foi o único a questionar a obra. Um crítico escreveu que "ela era estranha, selvagem, ultra-moderna. Será que um dia conseguiremos amá-la?" Reparem no começo da peça: a força da entrada das trompas e a chegada do piano, se contrapondo logo depois à bela melodia entoada pelas cordas. Há, nessa pequena passagem, tantas possibilidades de leitura, que vão se multiplicando no caráter único de cada um dos movimentos, que talvez a gente possa pensar a modernidade e a selvageria na verdade como amostras de uma profunda intensidade dramática.

Essa intensidade é, sem dúvida, uma das marcas do compositor. Por mais que associar a vida de um autor à obra que ele está escrevendo seja sempre um procedimento delicado, aqui é o próprio compositor a sugerir essa leitura. "Uma sinfonia deve voltar-se para o mundo interno de seu compositor, ela trata daquilo que está em nosso recanto mais profundo", escreveu ele em uma carta. A sinfonia, ou uma obra de arte, enfim, não deve tratar de uma realidade exterior, mas sim do mundo interno do seu autor. "Não deve uma sinfonia exprimir aquilo que a alma quer dizer e exige que seja dito?"

Esses comentários foram feitos a propósito da Sinfonia nº 6 - Patética, que também ouviremos hoje, obra sempre envolta em certo mistério. "Não tolero mais estranhos, não consigo estar na rua, mas o que mais me toma neste momento é uma sensação de ameaça que não sei identificar", escreveu Tchaikovsky durante a composição. E, como ela seria a sua última, surgiu a pergunta natural: será que o músico sentiu a morte se aproximando?

A única resposta possível a essa pergunta está dentro de cada um de nós, segundo aquilo em que resolvemos acreditar. Mas o fato é que ela é a última manifestação do gênio de Tchaikovsky, que volta a tratar nela de temas que o preocuparam durante toda a sua vida. O termo patético, diz o dicionário, refere-se àquele que "tem capacidade de provocar comoção emocional nos outros, um sentimento de piedade, tristeza, horror, tragédia". Este sentido de tragédia perpassou toda a trajetória do compositor e o modo como ele entendia a vida, o amor, a ideia de felicidade, a solidão. É disso tudo que fala a Sinfonia. E para ouvirmos basta estarmos abertos a essa jornada de vida transformada em música – uma jornada que se inicia aos poucos, quase em silêncio, e a ele retorna no fim da peça, com a qual, tantas décadas depois, ainda somos capazes de nos relacionar.

João Luiz Sampaio é jornalista, crítico musical, professor do Instituto Baccarelli e autor das biografias Antonio Meneses: Arquitetura da Emoção (Algol Editora, 2010) e Guimar Novaes do Brasil (Kapa, 2010)

 

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