A apresentação de 20 anos do Instituto Baccarelli, que aconteceu em 18 de dezembro, na Sala São Paulo, contou com muitas presenças especiais, entre elas do fundador, o maestro Silvio Baccarelli. Silvio foi homenageado por ter iniciado o projeto, em 1996, após um incêndio de grandes proporções na comunidade Heliópolis. Na plateia, alunos, ex-alunos, familiares, funcionários e ex-funcionários.

No palco, 300 alunos se apresentaram no momento festivo, entre eles, Rafael Pedro, que começou no Instituto Baccarelli aos 12 anos, cantando no Coral, e hoje, aos 26 anos, toca violoncelo na Sinfônica Heliópolis. Rafael, que também trabalha na instituição como professor assistente, recorda a experiência: “O começo foi difícil. As aulas do coral eram divertidas, mas quando fui estudar violoncelo, era complicado, o instrumento era muito grande, eu ficava meio desajeitado. Só que desde o começo surgiu uma paixão por fazer música. Quando entrei na orquestra e fiz o primeiro concerto eu me dei conta do público. E aquilo mexeu comigo. É onde a música de fato acontece. Um instante únic
o, especial, que nunca mais vai se repetir daquela mesma maneira”.

Muitos jovens passaram pelo Instituto Baccarelli, mas nem todos puderam comparecer à apresentação. Foi o caso da ex-aluna, Aline Alcântara que mora em Friburgo, na Suíça, há 4 anos, onde participa das orquestras de câmara de Friburgo e Lausanne, além de tocar em um grupo próprio de quinteto de metais. Aline já tinha aprendizado musical quando foi aprovada na Orquestra Sinfônica Heliópolis. “Foi uma mudança incrível, ensaios de terça a sexta-feira, com o maestro Roberto Tibiriçá e mais tarde com Isaac Karabtchevsky. Eu tomava até chá de erva cidreira porque ficava nervosa, eu sonhava com ele”, lembra rindo. “A exigência era muito grande, mas, hoje, eu vejo o como isso foi importante. A rotina de trabalho, as provas de reavaliação, tudo isso me preparou para a realidade que eu encontrei quando me mudei para a Suíça”, conta.

Dessa forma, o Instituto Baccarelli encerra mais um ciclo de trabalho que atualmente beneficia mais de 1.000 crianças e jovens pelos programas socioculturais, que abrangem 5 orquestras, 14 corais, 23 grupos de musicalização, 6 grupos de câmara e 2 cameratas.